22.5.13

Na Rota das Tapas por Lisboa

Rota das Tapas Estrella Damm

A tapear! Diz-se de um hábito muito característico em Espanha, onde a cultura da convivialidade é coisa séria e sair com os amigos para beber um copo é (quase) uma religião. Nas tapas é imperioso usufruir da partilha do ritual e aproveitar a experiência. O espírito de quem tapeia é traduzido em encontros e conversas e não precisa de razões especiais para acontecer. A não ser que haja uma rota de tapas (com mapa e tudo), sítios marcados e tapas especiais acompanhadas da inevitável cerveja.

A Estrella Damm promove em Lisboa, entre 23 de Maio e 2 de Junho, uma rota de tapas em 12 restaurantes espalhados entre o Bairro Alto, o Príncipe Real e o Chiado. No menu, uma tapa pensada para a ocasião e uma cerveja.

Rota das Tapas Estrella Damm

A ideia é cumprir uma espécie de romaria pelas capelinhas e ir provando as 12 tapas que fazem parte da rota. Eu provei três delas. Um pão crocante, aïoli, pimentos piquillos e petinga de conserva a que chamaram "Montadito 28" e que veio com um shot de gazpacho delicioso. Talvez o meu preferido.

Ou um pão grelhado com azeite verde de manjericão, alheira de caça e ovo de codorniz estrelado que recebeu o nome de "Montadito 52". É difícil de comer devido à altura mas tem todos os sabores certos.

Ou ainda um hamburger. Mini. De sua graça, "mini burger Robin dos Bosques". Com cebola caramelizada, como é suposto. O meu tinha a carne no ponto e estava muito bom. E eu que nem sou grande fã.

19.5.13

{World Baking Day} Pão-de-Ló com recheio de coco e mirtilos

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Dias marcados para (re)lembrar tradições, rotinas ou simples lembranças. Ligar o forno e fazer um bolo é passaporte para uma visita às memórias de infância. Separar gemas e claras. Bater com o açúcar em gemada. Juntar a farinha. Bater as claras em castelo. Todos os dias são bons dias para o fazer mas hoje é "o" dia. Neste World Baking Day celebra-se a cozinha como ponto de reunião e território fértil em afectos.

Este evento celebra-se à escala mundial e é uma singela homenagem à preparação dos alimentos em família e com os amigos. “Bake for fun, bake with friends and bake brave” é o lema este ano. Que é como quem diz: cozinhe por diversão, cozinhe com os amigos e seja corajos@.

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Neste Domingo faça como tantos de nós pelo mundo inteiro: traga a família para a cozinha, distribua tarefas, ligue o forno e faça um bolo.

Feliz World Baking Day!

17.5.13

Pilaf de espargos e ervilhas com molho de iogurte e feta

Pilaf de espargos e ervilhas

Espargos, tingidos com azul ultramarino e uma cor rosada a escorrer das suas cabeças, finamente pontilhadas de lilás e azul, por meio de uma série de mudanças imperceptíveis nos seus pés brancos, ainda um pouco manchados pela terra do seu canteiro: uma beleza de arco-íris que não era deste mundo.

Marcel Proust, o amante de espargos.

Os últimos espargos são uma das despedidas mais difíceis. Voltam para o ano, eu sei. Até lá, ficam as lembranças das sopas, tartes e saladas que cruzaram a mesa da nossa cozinha nas últimas semanas. E as palavras sábias de quem compreende a nossa tristeza de os ver partir. Valha-nos que as favas e as ervilhas ainda se encontram. Que as alcachofras vieram para ficar. E que os mirtilos ainda agora chegaram.

Ervilhas frescas // Fresh Peas Molho de iogurte e queijo feta

Tenho a convicção que os espargos devem ser celebrados. Como Proust, parecem-me sempre meio etéreos. Como se viessem de longe. Como se a sua fosse uma existência de outro universo.

Não há nada como os primeiros espargos na banca do mercado a receber a nova estação e todos os outros vegetais e frutas que caracterizam a Primavera. Mas a sua vigência é curta. A única possibilidade é aproveitá-los até ao limite enquanto vão aparecendo, na companhia das favas e ervilhas frescas e dos cebolos novos.

Num pilaf rápido, cheio de sabor.

Espargos // Asparagus

14.5.13

Mousse de chocolate, azeite e pistácios para um restaurante de sonho

Mousse de chocolate, com azeite e pistácios

Fica onde a alma encontrar alimento e a barriga satisfação. Na esquina do mundo onde os ventos mudam de cor. O meu restaurante de sonho tem luz e livros e tempo de sobra. Tem cadeiras confortáveis e copos de vidro de muitos tamanhos. A pedir minutos esquecidos e vinho. Tem janelas abertas para o interior e uma árvore que cresce cá dentro. Vai dando flores e frutos, consoante a altura do ano, sombra e sol, em função da meteorologia e da altura do dia. No meu restaurante sonhado, há vasos e terra e plantas a crescer. Há colheres com passado inscrito nos cabos e uma cozinha que conta histórias em forma de pratos.

A relação com os restaurantes da minha vida é sempre medida na vontade que tenho de lá voltar. Não existe em mim vontade de cozinhar profissionalmente. Sou demasiado lenta, entediam-me as reproduções e não gosto de múltiplos. O meu restaurante de sonho é um sítio onde se cozinha o que a terra dá no momento e o que chega no dia à bancada da cozinha. É lugar de experimentações simples e pensamentos elaborados. Uma ode aos ingredientes e o elogio das técnicas. Numa história bem contada.

O meu restaurante de sonho é um paradoxo. Simples e complicado, descontraído e produzido, popular e espiritual. Tudo ao mesmo tempo. Preferencialmente com um livro sobre a mesa, ao lado do prato ou da chávena.

De Kas, Amsterdam De Kas, Amsterdam
Restaurante De Kas, Amesterdão

E se de paradoxos falamos, nada melhor para o ilustrar que uma mousse que não leva açúcar, nem ovos. Uma mousse que é feita com azeite. Uma mousse que se faz enquanto o diabo esfrega um olho e se serve de imediato como se tivesse demorado um dia inteiro. Uma mousse que faz sonhar até o menos apaixonado dos chocolátras.

Esta é a minha participação no Convidei para Jantar, um projecto delicioso da Anasbagueri, nesta edição recebido primorosamente n'A minha cozinha é a Cores.

Quem precisa de uma colher?

Mousse de chocolate, com azeite e pistácios

8.5.13

Sumo de laranja, chá Rooibos e líchias

Sumo de laranja, Rooibos e líchias

A hora do chá é coisa séria. Pára o mundo por um momento, reabastece-se o ânimo para mais algumas horas de trabalho. Com a presumível partida do tempo frio, fica a vontade de um chá de temperaturas mais primaveris. Apetece-me chá rooibos. Com fruta à mistura e comido à colher. Qual Alice no País das Maravilhas. Parecia um excelente plano, sem dúvida, muito simples e bem organizado: a única dificuldade era que ela não tinha a menor ideia de como realizá-lo.

Será chá ou sumo, fruta em calda ou simples mistura. Sem teína, sem álcool, é apenas uma bebida. Sem dificuldades. Faz-se na tarde um intervalo, mistura-se tudo num jarro e já está. Sem surpresas. Ou quase. É que uma líchia encerra sempre um mistério. Confesso-me fã destes frutos pequeninos e sabor exótico.

O Rooibos Serenguetti da it-tea combina o seu sabor característico com limão e laranja e os frutos exóticos. Aqui o chá vermelho faz par com as líchias, cujo aroma particular vem trazer doçura. Por mim, não precisa de mais açúcar mas para os mais gulosos é sempre possível adoçar a bebida a gosto.

Flor de sabugueiro Sumo de laranja, Rooibos e líchias