18.1.17

Ovos (com feijão branco e pimento vermelho)

Ovos com feijão branco e pimento

Sem resoluções, nem promessas, começa o ano. Mais do mesmo ou a vontade de comer o mundo. Sempre mais, com mais determinação, mais daquela curiosidade que não deixa sossegar a alma e se transforma em fome de viver. Apetece-me dizer como Albert Camus: em pleno Inverno, descobri em mim um Verão invencível. Não é das estações que o poeta fala e eu não consigo deixar de pensar que o frio que faz lá fora só muda tudo ao meu redor se eu quiser. Se não há sol, que se crie um no prato. Se chove, que haja abrigo à mesa.

De volta à cozinha e às rotinas, a conversa repete-se de vez em quando. Não contamos almoçar em casa e de repente a vida muda-nos os planos. Inventa-se em minutos o que a despensa e o frigorífico oferecem e a barriga pede. A escolha cai muitas vezes nos ovos e é invariavelmente vegetariana, colorida e bem disposta.

a ver o mar Ovos com feijão branco e pimento

Ao longo dos últimos meses tenho feito da minha Actifry panaceia para todos os males, seja a falta de tempo ou a intenção de cozinhar com menos gordura. Os resultados têm sido quase sempre um sucesso e volto a utilizá-la uma e outra vez, seja na granola (quase) semanal, nos desejos repetidos de scones ou na necessidade (permanente) de guardar o Verão soba a forma de um prato de ratatouille.

A receita de hoje faz-se de feijão branco estufado com pimentos vermelhos e ovos abertos, num piscar de olho aos muitos pratos do género que fazem parte das mesas de outras cozinhas. Para finalizar, salsa e requeijão esfarelado e pão, que é imprescindível para a gema a escorrer. Talvez seja um prato mais comum nos pequenos-almoços para valentes mas pelo meio-dia e em jeito de almoço não fica nada mal.

Ovos com feijão branco e pimento

30.12.16

2016 foi assim

2016

Caro 2016,

Digo-te adeus sem ressentimentos.

Fizemos o que tínhamos de fazer. Gastámos tardes e manhãs, rompemos madrugadas e queimámos o pôr-do-sol. Não foste um ano fácil. Os desafios insuperáveis, os problemas em forma de mundo, as perguntas sem resposta. Recuso-te uma última prerrogativa. Não te lembrarei pelo que não fomos e pelas horas mais difíceis. Não quero. Despeço-me com um sorriso. Sem ele as minhas rugas não ficam no sítio certo e perdem sentido. E eu fiz por merecer cada uma delas para agora não as mostrar com brio. Escolho a resiliência, nome pomposo a que os teimosos chamam finca-pé. Fico com a recordação dos abraços das minhas pessoas, as memórias de dias felizes, as pequenas vitórias. Vou receber 2017 com a mesma confiança de sempre e acreditar num amanhã repleto de possibilidades. Venha o ano novo!


Feliz 2017.

14.12.16

Rabanadas de brioche (com mel e pinhões)

Rabanadas (com mel e pinhões)

Dezembro de todos os encantos, todas as corridas, todos os sorrisos, ansiedades e mais que venha. Se há mês que garantidamente há-de ser uma montanha russa de emoções, é este. Respirar fundo, acreditar que tudo vai correr bem e encontrar compensação em chávenas de chá sem fim. E rabanadas. Dezembro foi inventado para que se pudesse comer rabanadas. É a minha convicção e não há maneira de me demover.

Pão, ovo e leite para uma fritura que se quer seca. Açúcar e canela como roupagem de festa tradicional para um Natal que não se faz sem estes aromas. Depois só fica o desejo de repetir vezes sem conta este prazer.

Rabanadas (com mel e pinhões)

Estas rabanadas são rápidas e praticamente sem gordura. É só colocar na Actifry o pão de eleição, neste caso brioche, passado por uma mistura de ovo e leite (que pode até ser vegetal) e 10 minutos depois, voilá! Porque os gulosos inventam sempre alternativas ao açúcar é o mel a escorrer e os punhões torrados que dão graça a estas rabanadas. Têm sido desculpa para os lanches de tardes a parecerem-se já com noites e têm feito dos nossos dias lugares com outra luz. Feliz Dezembro!

Que a força esteja convosco e que o último mês do ano vos traga muitas coisas boas. Entre as quais duas ou três rabanadas.

Rabanadas (com mel e pinhões)

13.12.16

Workshop de Natal Bimby e um Abade de Priscos

Workshop de Natal Bimby

A minha história com a Bimby é um eterno retorno ao Natal. Presente grande que me chegou no ano passado e que tem feito da minha cozinha um lugar ainda mais feliz. Das aprendizagens, teimosias (minhas) e especificidades (dela) lá nos vamos entendendo, cada dia melhor. Por isso aceitei de pronto quando me desafiaram para um workshop Cook it. Vamos cozinhar o Natal? Vamos, que toda a ajuda é necessária quando a casa se enche para a consoada.

À chegada a simpatia do chef António Ferrador e de todos, uma bebida e aperitivos e a explicação de como funciona o workshop. Começamos por fazer em conjunto Bolinhos vermelhos e Trufas de chocolate e piri-piri que hão-de ser prendas para um Natal feito em casa. Depois, agrupados em equipas de três chegamo-nos a uma das ilhas. Porque a sorte se procura, calha-nos a sobremesa mais gulosa da noite. Mãos à obra, há um Pudim Abade de priscos com coulis de framboesa e crocante de amêndoa para preparar.

Workshop de Natal Bimby Workshop de Natal Bimby

Entretanto nas outras ilhas cozinha-se uma ceia inteira. Deito o olho aos vizinhos do lado enquanto separo gemas e claras. Devo ter-me distraído com a visão dos palmiers porque os meus companheiros de aventura fazem a maior parte do trabalho. A entrada é Creme de mandioca com camarão e roquefort acompanhado com palmiers de tapenade e deve ser tão deliciosa como bonita. Volto à receita que o tempo não pára e se a Bimby faz a sua magia com açúcar e toucinho, limão e vinho do Porto, é altura de cobrir as formas com caramelo.

Mais ali ao lado toma forma a receita central da refeição, um Bacalhau “com todos” embrulhado para festa com todos os sabores tradicionais e uma nova roupagem. Já na ilha central é dada primazia a uma opção vegetariana, um Estufado de cogumelos e batata-doce com couve salteada com broa e groselhas que me deixa cheia de vontade de provar. E porque não há Natal sem Bolo-rei, começam a chegar os aromas vindos do forno. Às coroas com cores de festa só falta o açúcar e a mesa começa a ficar composta.

Workshop de Natal Bimby

2.12.16

{Moules & Beer} Quando um prato belga se faz português

Moules & Beer, Campo de Ourique, Lisboa

Os lugares perto de casa ficam sempre para outro dia. Porque estão ali e podemos ir em qualquer altura, sem planear. E não vamos. Até ao dia em que decidem por nós e finalmente acontece. No Moules & Beer a luz que entra pelas clarabóias descobre uma sala ampla, com a cozinha ali ao lado onde os pratos tomam forma. Na parede, inscrito em lâmpadas acesas, o mote para a refeição: Moules & Beer. Deixem vir à mesa os mexilhões e nem se atrevam a não experimentar uma das muitas cervejas que povoam as prateleiras.

Se eu pudesse queria ter começado este caminho pelo mundo da cerveja antes. É que eu cresci com o vinho e durante décadas achei que não gostava de cerveja. Quis a idade dar-me uma nova perspectiva, mostrar-me esta criatura disposta a conhecer outros néctares e com coração para encontrar novas paixões. O sabor apanha-me muitas vezes desprevenida e o ritual ainda não é natural. Mas lá me vou perdendo de amores de quando em vez. A última da quais uma provocadora cerveja artesanal chamada Vadia.

Moules & Beer, Campo de Ourique, Lisboa Moules & Beer, Campo de Ourique, Lisboa Moules & Beer, Campo de Ourique, Lisboa