27.1.15

Pudins de sementes de chia e coco e as compras

Pudim de chia e coco (com mirtilos)

O que vai mudando na nossa alimentação ao longo do tempo é tanto fruto das nossas opções como do contexto em que nos inserimos. Hoje podemos discutir mais informadamente os alimentos que comemos e as suas características e ter mais consciência do que nos passa pelo prato e as implicações dessas escolhas. E contudo, parece cada vez mais difícil fugir dos produtos processados, dos vegetais pouco nutritivos (e caros) ou do pão de qualidade discutível. É também fácil embarcar na promessa milagrosa dos "super alimentos" que passam de desconhecidos a essenciais, com o rótulo de saudável mas que não se podem substituir a uma dieta equilibrada e variada.

Os meus hábitos de consumo e o modo como faço as minhas compras também têm mudado muito. Não abdico da ida semanal ao mercado, porque os vegetais e as frutas são uma parte importante da dieta cá de casa, compro a (pouca) carne no talho e o peixe na peixaria e tento sempre que possível comprar local, sazonal e biológico. São escolhas que compenso com o tempo que não passo no supermercado. Há muito que encomendo livros ou café pela internet e a mudança de hábitos nas compras de mercearia aconteceu naturalmente. Foi assim que fiquei a conhecer A Tua Despensa, o supermercado online que é um projecto português, com os mesmos preços em todo o país, promoções e entrega em qualquer parte do território continental. A rapidez ao fazer a encomenda e a facilidade na recepção das compras liberta, no meu caso, as manhãs de Sábado para as idas ao mercado.

A Tua DespensaPudim de chia e coco (com mirtilos)

A conveniência de comprar aos produtores, de estabelecer uma relação de proximidade com as pessoas que nos vendem os produtos ou criar laços com projectos com os quais nos identificamos é essencial para fazer escolhas mais acertadas, mais saudáveis e que são, supreendentemente, muitas vezes mais económicas. Com A Tua Despensa sinto-me especial porque me enviam sempre uma oferta e o contacto é muito próximo e eficiente. Tenho descoberto produtos mais acessíveis como a farinha de arroz ou novos ingredientes como as sementes de chia a preços correctos.

Estes pudins de chia são a primeira experiência com as famosas sementes, que depois das bagas goji ou da quinoa, se assumem como a última descoberta. As suas capacidades gelificantes deixaram-me curiosa e a utilização nesta receita permite criar uma boa textura, com o sabor do coco a sobressair. Com uma compota de fruta rápida e quase sem açúcar são uma boa opção para pequenos-almoços rápidos e saborosos.

A Tua DespensaPudim de chia e coco (com mirtilos)

21.1.15

Caril de grão com abóbora assada

Chana masala

A minha geografia faz-se também de todos os lugares onde não estive. Da curiosidade por aromas, sabores, especiarias e nomes desconhecidos, da história e das emoções de culturas longínquas. Quero sempre experimentar novos pratos, decidir se gosto ou não, saber mais sobre os ingredientes, perceber as combinações.

A Índia sempre esteve longe do meu centro de gravidade e a sua cozinha foi-me passando ao lado durante anos, escondida entre o meu medo do picante e uma mão-cheia de mal entendidos. Quis o tempo e os caminhos cruzados que a comida indiana viesse até mim e nos sentássemos à mesma mesa, em perfeita harmonia. Tudo graças à minha amiga Isabel, a quem recorro para todas as dúvidas e mais uma, quando me baralho com as especiarias ou me perco no Martim Moniz.

abóbora assada com canela Chana masala

Este chana masala, à letra, mistura de caril para grão, é uma receita simples em que o sabor se encontra com a vontade de conforto e nutrição. Tradicionalmente uma refeição indiana é feita de várias comidas, servidas em conjunto e combinadas para garantir diferentes sabores e um equilíbrio do doce com o salgado, com o ácido e o amargo. Aqui resolvi juntar uma abóbora assada com canela e uns papadums com cominhos para completar um almoço vegetariano.

É um prato perfeito para o tempo frio, que dizem propicia as tristezas sem razão. Em caso de necessidade, para espíritos a precisar de estímulos ou apenas para os friorentos, há poucas maleitas do corpo e da alma que um caril de grão não cure.

Chana masala

13.1.15

Folhado de roupa velha e ovos de codorniz

Folhado de roupa velha com ovos de codorniz

A cozinha tradicional portuguesa está cheia de receitas que surgem como aproveitamento, para utilizar ingredientes que sobram de outras, como resposta a excesso de claras (ou gemas!) ou a avalanchas sazonais de laranjas e limões. Mas a mais icónica de todas as receitas feitas com "restos" é a chamada roupa velha, um aproveitamento do bacalhau com todos da Consoada e que, reza a história, se serve como entrada no almoço do dia de Natal. Faz parte das mesas de muitas famílias e do imaginário popular e é delicioso.

Porque as possibilidades são infindáveis lembro-me de transformar em folhado aberto a minha roupa velha e juntar-lhe ovos de codorniz, mantendo a gema ainda líquida e a massa folhada estaladiça. É esta receita que me leva a conhecer a Riberalves num dos últimos sábados de Dezembro, um dia de muito frio em Lisboa, em muito boa companhia. Os processos inerentes ao bacalhau salgado são-me quase desconhecidos e, embora as técnicas necessárias à conservação me sejam familiares, é uma realidade nova que encontro quando entro na maior fábrica de transformação de bacalhau do mundo.

Fábrica Riberalves Fábrica Riberalves
Fábrica Riberalves

De onde vem o bacalhau que chega ao nosso prato? Como não se trata de um peixe da nossa costa, é da Islândia, da Noruega e da Rússia que vem a maioria do bacalhau que é depois seco e salgado segundo a "cura portuguesa". Ou não fossemos nós os maiores consumidores deste produto. Entre câmaras de secagem, salgadores e longos processos de conservação, há um sem número de conhecimentos necessários até se chegar ao melhor bacalhau salgado. Que depois tem de ser demolhado, novamente de forma correcta e rigorosa, para se obter a posta perfeita. Na Riberalves uma parte considerável deste trabalho é feito para transformar o bacalhau seco em ultracongelado, demolhado e pronto a cozinhar. Depois de perceber a morosidade e a necessidade de cumprir diferentes passos na demolha é fácil de compreender as vantagens do bacalhau ultracongelado.

É já na cozinha da Academia Riberalves que o chef José Avillez se prepara para nos conduzir na confecção de três pratos: salada de bacalhau, bacalhau confitado em azeite e bacalhau à Brás com as já famosas azeitonas explosivas. Gargalhadas, muita conversa e perguntas e mais perguntas levam o chef a temer pelo almoço. Longe do silêncio e eficiência das suas cozinhas, o dia é de festa e apesar dos receios a comida chega à mesa mais ou menos a horas. A conversa essa continua pela tarde fora.

Salada de bacalhau, chef José Avillez Fábrica Riberalves, chef José Avillez Bacalhau confitado, chef José Avillez

5.1.15

Bulgur com cogumelos e ovo escalfado

Boulgur com cogumelos e ovo escalfado

E agora damos as boas vindas ao novo ano. Cheio de coisas que nunca foram.

As palavras perdidas de Rainer Maria Rilke abrem caminho para o que ainda há-de ser ou aquilo que nunca será. Dos desejos, resoluções e anseios fica a mera possibilidade. A cada novo Janeiro recomeça-se o calendário, arrumam-se assuntos pendentes, fazem-se planos para o futuro e espera-se que o ano siga o seu curso. Cá por casa suspiramos por dias maiores e trocamos as voltas ao frio, com repetidas chávenas de chá e tigelas de sopa.

Findas as festas, os excessos, a mesa sempre posta, é o retorno aos dias normais. Aos almoços rápidos, nutritivos e variados, onde as cores e as texturas ganham lugar à carne e ao peixe. Aliados de tantas passagens rápidas pela cozinha em dias de semana, os cereais são a opção fácil para pratos que confortam o estômago e preparam a alma para mais uma tarde de trabalho. Acompanhados de uma salada de folhas de Inverno e estamos prontos a continuar.

Ano a fora.

Salada de Inverno Boulgur com cogumelos e ovo escalfado